Futsal Espectáculo na Mealhada |
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| por Pedro Neto em 2008-11-03 15:30:25 | |||||||
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Antes de mais, há que dizer que o Benfica voltou a não contar com Bebé e Gonçalo Alves, dois internacionais portugueses que constituem ausências de peso. Na baliza não houve grandes problemas porque Zé Carlos, à semelhança de jogos anteriores, voltou a ser dos melhores em campo, mas, no caso de Gonçalo Alves, a sua ausência é muito sentida, principalmente no processo defensivo. Em virtude disso, as transições rápidas dos adversários continuam a criar demasiados problemas à defesa do Benfica, e foi assim que o Módicus se conseguiu adiantar no marcador. Bola para o meio, em Amílcar, que rodopia e vê Zé Carlos impedir a inauguração do marcador, mas na recarga o 0-1 acontece mesmo. À conta dessas mesmas transições rápidas, apareceram outros sustos na primeira parte, sempre com o guarda-redes do Benfica em grande plano. A primeira curiosidade da partida vai para o facto de Ricardinho ter ficado no banco, para não arriscar com o tal problema no pé que o impediu de alinhar com o Sporting. Magia na Mealhada Como tem sido habitual nesta temporada, o Benfica não entrou nada bem no jogo. Surpreendeu o Módicus, um colectivo extremamente rápido e com dois jogadores de enorme qualidade: Ramada, já com grande cartel no futsal nortenho de 1ª Divisão, e um menos afamado mas que deu espectáculo, Amílcar. O Benfica apenas viu jogar nos primeiros minutos e, a perder, André Lima lançou Ricardinho. Tudo mudou, claro. Se é verdade que Arnaldo Pereira apontou os dois golos da reviravolta antes do intervalo, foi Ricardinho, sempre muito aplaudido, que valeu o bilhete. Que grande show do Mágico do Benfica, a deixar o quase lotado Pavilhão da Mealhada em polvorosa. Primeiro, num passe largo na ala, coloca em Arnaldo que fuzila Sandro para o empate. Depois, com uma espantosa vírgula, tira um adversário do caminho e oferece o bis ao “Expresso”. Sofrido mas justo. De evidenciar que do empate à reviravolta passaram quase 10 minutos de grande dificuldade e equilíbrio, onde a equipa de arbitragem se mostrou protagonista, amarelando o #10 do Benfica por uma falta que não existe – um mergulho de um jogador do Módicus que, ao fim ao cabo, se torna decisivo mais à frente – e acumulando 5 faltas ao Benfica, duas das quais inexistentes. Tendo 5 faltas, e ainda com sensivelmente 10 minutos para jogar, as dificuldades foram acrescidas e obrigaram a uma menor agressividade individual e colectiva. Assim se explica que, até ao intervalo, tenha havido algum controlo de jogo menos incisivo, aproveitando André Lima para fazer rodar Rogério, João Marçal e Pedrinho, este último até tem a melhor oportunidade para o 3º, num míssil de longe. Zé Carlos mostrou-se bastante, também, na resposta a vários contra-ataques dos nortenhos. O Melhor Benfica da Época Porém, o sofrimento encarnado da primeira parte transformou-se em espectáculo e deleite no segundo tempo. Não só o Benfica entrou logo a matar o jogo, com um golo assombroso de Arnaldo em rotação, como se exibiu em alto nível, não dando quaisquer hipóteses ao seu adversário. Nos 5 jogos oficiais do Benfica já disputados nesta temporada a que tive a oportunidade de assistir, a 2ª parte deste foi, seguramente, a melhor até à data. Benfica sempre por cima, a criar múltiplas oportunidades de concretização e com Ricardinho a deliciar: vírgulas, cabritos - um deles a roçar a barra -, aberturas fantásticas, calcanhares… enfim, um verdadeiro espectáculo para o qual o público, pelo seu incentivo constante ao atleta, também contribuiu. Mas é dos golos que reza a história e aí Arnaldo esteve imparável. Já não satisfeito com um hattrick, o capitão da Selecção Nacional, vindo de trás, faz o dois para um com Zé Maria e, com alguma sorte à mistura, consegue empurrar para o 4-1. Poker de Ases! O jogo parecia resolvido, e a tranquilidade já era total, mas o Módicus aproveita um livre directo para conseguir reduzir... e sonhar. É um grande golo de João Oliveira, a empurrar para a baliza de calcanhar, aproveitando um grande remate de longe de Amílcar, sempre ele. E aqui há um erro crasso da equipa técnica de Sandim. Com 4-2 no marcador, faltando ainda 6 minutos e picos para jogar, entra o guarda-redes avançado. Não só o Benfica estava na mó de cima, e em total controlo de jogo, como pareceu demasiado cedo para arriscar nesta estratégia. Situação que nunca resultou em perigo e acabou, mesmo, por favorecer a equipa a jogar em casa emprestada. Ao terceiro remate para a baliza deserta, o Benfica marcou mesmo: Zé Carlos, autor de mais uma grande exibição, chutou de baliza a baliza e fez o 5-2. Tempo ainda para Ricardinho fuzilar uma baliza já com Sandro para o 6-2, aproveitando recuperação de bola de Pedro Costa, e para o Módicus voltar a reduzir numa série de ressaltos dentro da área. Loucura Final Os momentos finais do jogo foram de pura loucura, a proporcionarem um ambiente ensurdecedor no Pavilhão da Mealhada. A primeira reacção foi de revolta para com a equipa de arbitragem, por esta ter expulsado Ricardinho num duplo amarelo incompreensível. Aliás, se já nem sequer a primeira falta existiu, o #10 do Benfica vê o 2º amarelo praticamente ainda sentado no chão, após ter sido assinalada uma falta dura cometida sobre si próprio. Momentos de alguma tensão na equipa, e no próprio banco, com Pedro Costa a serenar as coisas, assumindo brilhantemente o seu estatuto de capitão de equipa. O Benfica via-se com apenas 3 elementos de campo mas a resposta foi absolutamente cabal. No mesmo livre que pune a tal falta dura sobre Ricardinho, ainda por bater devido à grande confusão instalada, Arnaldo assiste Zé Maria na ala e o #7, com um remate seco de baixo para cima, faz o 7º e último golo encarnado. Nem será preciso dizer a reacção do público ao golo, um misto de revolta contra a equipa de arbitragem e alegria pelo resultado alcançado. Algo só visto. O minuto restante concluiu-se ao som do “Glorioso SLB” e do “Nós Somos Campeões”. Um ambiente que contagiou os próprios atletas, e é Arnaldo Pereira, o homem da partida, que, já de braços no ar em grande euforia, dá o mote para o aumento do volume dos cânticos. Imperdível! Ficha de Jogo: 4ª Jornada do Campeonato FutSagres 2008/09 Árbitros: Agostinho Jorge e Vítor Clemente (AF Setúbal) Pavilhão Municipal da Mealhada (aproximadamente 750 pessoas) SL BENFICA: Zé Carlos; Zé Maria, Pedro Costa, Arnaldo Pereira e César Paulo. Jogaram ainda: Ricardinho, Rogério Vilela, João Marçal, Pedrinho e Anilton. MODICUS-SANDIM: Sandro; Motta, Amílcar, Pedro Ferreira e Luís Miguel. Jogaram ainda: Ricardo Ferreira, Pirata, João Oliveira e Ramada. Disciplina: Amarelos a César Paulo e Anílton (dado no banco, na consequência da confusão com a expulsão de Ricardinho). Duplo amarelo, com o consequente vermelho, a Ricardinho. Golos: 0-1, Luís Miguel (3 m); 1-1, Arnaldo Pereira (4 m); 2-1, Arnaldo Pereira (13 m); 3-1, Arnaldo Pereira (22 m); 4-1, Arnaldo Pereira (28 m); 4-2, João Oliveira (33 m); 5-2, Zé Carlos (37 m); 6-2, Ricardinho (38 m); 6-3, Motta (39 m); 7-3, Zé Maria (39 m). |
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