O porquê do 4-2-3-1 para este Benfica?
Desde já, uma equipa com Javi (poço de intensidade e de destruição de jogo), Matic (médio com critério, serenidade, mas com pouca intensidade), Nuno Coelho (trinco de jogar em posse, mas forte no desarme) para a posição 6 no inicial 4-1-3-2, apenas Javi consegue preencher todos os requisitos para ser o médio equilibrador de jogo e o bombeiro de serviço nas transições defensivas. O que têm estes três jogadores em comum? O facto de, independentemente das suas características, saberem todos trocar a bola criteriosamente, deixando-a na esmagadora maioria das vezes jogável no destinatário. Estes três jogadores diferem no estilo, mas complementam-se, acima de tudo.
Jogar Javi-Matic daria, além de mais poder nas bolas disputadas e bolas paradas, o equilíbrio defensivo que falta, nos jogos de grande intensidade, e contra adversários de qualidade próxima (tanto para mais ou para menos) ou equiparável. Lógico que contra a grande maioria das equipas profissionais portuguesas, o Benfica tem pleno controlo do jogo e tem ainda uma gigantesca superioridade na qualidade individual dos seus jogadores.
Voltando ao duplo pivot creio que à sua frente terá de jogar um jogador criativo e dinâmico, para não perder dinâmica ofensiva. Assim, Gaitán, Bruno César e Aimar, teriam mais margem de manobra ofensiva, pois em caso de perda, a equipa estava equilibrada graças ao duplo pivot. Gaitán, o jogador mais dinâmico dos médios ofensivos, teria naturalmente mais margem de manobra para desequilibrar e causar o caos na defensiva adversária. Por sua vez, Pablo Aimar, apesar de não ter a dinâmica de outros tempos, faria a equipa jogar com dinâmica e mais organizada. No entanto, penso que esta opção era mais viável se os dois extremos forem jogadores rápidos, para compensar uma menor frescura física do Mago. Já Bruno César parece um misto entre estes dois jogadores anteriores. Nem é tanto desequilbrador como Gaitán, nem tanto cerebral como Aimar, sendo no entanto igualmente eficaz a sua presença à frente do duplo pivot devido à sua dinâmica e criatividade.
Nas alas, tanto Gaitán, como Urreta, como Enzo (que poderá ser médio de equilíbrios, como também um ala), como Nolito (extremo inteligente e bom nas diagonais) seriam as opções mais lógicas, com Rodrigo, Saviola e/ou Jara a casualmente actuarem lá, caso haja necessidade. Na frente, Cardozo será o artilheiro, tendo os jogadores mais móveis como Jara, Rodrigo Mora, Rodrigo, Saviola a viverem na sombra. Poderá parecer muitos jogadores para uma posição, mas será, sem dúvida, uma época muita desgastante, com imprevistos (lesões, castigos, etc) e muitas competições.
Posto isto, gostava de mencionar dois jogadores que não falei. David Simão e Carlos Martins. Neste sistema ambos apenas podem jogar no duplo pivot. Simão já jogou assim no Paços, e fê-lo bem. É um elemento com muitos recursos técnicos e com um quociente de inteligência bem acima da média com a bola nos pés. Neste aspecto, é superior ao Martins. Por sua vez, Martins apesar de ser tecnicamente excelente, peca no temperamento e nas decisões. Na minha óptica, o ciclo de Martins no Benfica chegava ao fim já agora, a fim de fazer um encaixe financeiro, pois o seu rendimento desportivo já não é satisfatório.
- Clique Iniciar Sessão para colocar comentários